Por Henrique Oliveira (clique aqui para ver matéria original)
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Fonte: www.boston.com
Nos últimos dias temos assistido a um curioso e inédito movimento na política nacional. Senadores tarimbados e velhas “raposas” dos grandes partidos brasileiros, têm se utilizado com cada vez maior frequência e intensidade o Twitter para divulgar suas posturas e combater alguns “desafetos”. Como uma verdadeira revolução comunicativa, o Twitter vem possibilitando que os políticos falem diretamente aos seus eleitores e recebam, também, as respostas por suas muitas vezes nebulosas posturas.
Na última semana, por exemplo, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) anunciou, em primeira mão, a sua “renúncia” ao posto de líder do PT no Senado. E logo depois, pelo mesmo Twitter, recebeu, de seus seguidores, duras críticas pela volatilidade da sua postura e pela falsidade da sua retórica. Já há algum tempo, o Twitter tem servido muito para a divulgação de “notícias em primeira mão”. Foi, basicamente, o que ocorreu na última quinta-feira, 20. O senador Mercadante anunciou, em seu Twitter, que renunciaria à liderança do partido, escrevendo: “eu subo hoje à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável”. Uma grande repercussão foi criada em cima do anúncio do senador. Pessoas do Brasil inteiro elogiavam a coragem de Mercadante em criticar severamente a postura petista (e lulista) de defender com unhas e dentes a permanência de José Sarney na presidência do Senado – Mercadante sempre foi contra a essa postura.
O problema é que o “irrevogável” do senador se revogou logo na manhã da sexta-feira, 21. A cúpula petista precionou Mercadante a voltar atrás em sua “renúncia”. Falou mais alto, como sempre nesse país, a voz do poder, e, logo depois da negociata, o senador João Pedro (PT-AM) foi á tribuna com inglória tarefa de divulgar o recuo do senador paulista. “O senador Mercadante entrou em contato comigo hoje de manhã e disse que permanecerá no cargo”, afirmou diante dos outros senadores. Conforme afirmado pelo Estadão, nesse momento, “Mercadante acabou sendo vítima do seu próprio Twitter. Logo após seu discurso de recuo em plenário, milhares de mensagens de repúdio à sua postura invadiram o microblog. Foram mais de três mil manifestações em poucas horas. ‘Fui às ruas pelo PT, fiz campanha pelo PT, votei no PT e hoje você ajudou a decidir o que fazer no futuro: PT nunca mais’, enviou a Mercadante um internauta chamado Igor Polaroid”.
Em outras palavras, o twitter vem, ao seu modo, mudando a própria forma de se fazer política no país. Em mensagens de 140 caracteres, muitos protestos e ações já foram organizadas e levadas à cabo no Brasil. Lembremos aqui da repercussão do movimento “Fora Sarney”, das divulgações da repressão iraniana e de diversas outras campanhas “twitteiras”. O episódio do senador Mercadante só prova que o fluxo de comunicação na sociedade vem se modificando de uma forma cada vez mais frenética e rápida. E que a esfera política deverá se adaptar a mais esta demanda.
Certamente, não chegaremos a ter uma política apenas “de twitter” ou “de internet”. Porém, já está provado que, por essas vias, muita coisa deverá mudar….