Existe na França uma entidade que se dedica ao estudo da solidariedade. É a Recherches & Solidarités: www.recherches-solidarites.org
Essa entidade francesa estuda formas de expressão da solidariedade individual, manifestadas em forma de doações de dinheiro, doações de sangue, órgãos etc, além da solidariedade coletiva cujo exemplo pode ser encontrado nas associações e cooperativas.
Um grupo de estudos dessa entidade fez uma pesquisa sobre as expectativas dos doadores com menos de 60 anos de idade.
Essa pesquisa resultou em um artigo, publicado no La Croix, e revelou a existência de um público muito solícito para atender a pedidos de doações, um público que é jovem e receptivo às novas tecnologias.
Este público tem sido pouco e mal explorado por quem pede donativos. Apesar da pesquisa ser francesa parece que o estudo não tem contra indicação para o Brasil.
Segue abaixo, na íntegra, a matéria que o La Croix publicou a respeito dessa pesquisa reveladora:
Internet, o canal do futuro para as Associações pedirem doações.
Segundo um estudo de Jacques Malet existe hoje um “reservatório” de doadores, ainda muito pouco solicitado. Esses doadores são jovens e receptivos às novas tecnologias.
As Associações caritativas vivem com uma espada de Damocles sobre a cabeça: é necessário, todo ano, obter recursos suficientes e tentar conquistar novos doadores.
Uma obrigação árdua que Jacques Malet, presidente do grupo de estudos ‘Recherche et Solidarietés – R et S” (Pesquisa e Solidariedade), se propõe a facilitar fornecendo ferramentas estatísticas aos organismos que apela à generosidade do público.
Ex-diretor do ‘Centre d`études et de recherches sur la philantopie – Cerphi’, Jacques Malet publicou quarta-feira, 9 de julho no La Croix os resultados de um estudo sobre o que os doadores com menos de 60 anos esperam.
Esses doadores constituem, segundo Malet, um público importante mas pouco solicitado.
Isso se explica facilmente, observa o pesquisador. As associações procuram eficiência nas suas coletas e sabem que vale mais se dirigir àqueles que já doaram.
Ora, atualmente, os maiores de 60 anos representam quase a metade dos doadores. Portanto, é necessário “assegurar a substituição”, avalia Jacques Malet e “diversificar os meios das associações”.
Objetivo da enquête: conhecer melhor os doadores.
Sua enquête, intitulada: ‘Na escuta dos doadores’, que se apóia igualmente sobre os dados do Observatório da Fundação de França e do INSEE, tem a ambição de melhor conhecer os doadores de 18 a 60 anos de idade, para melhor os abordar e os fidelizar.
A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 29 de junho último, junto de uma amostra representativa de 1.140 doadores que utilizam Internet. Alguns dentre eles foram contatados via questionário no site eletrônico do La Croix.
Ficou claro que existe um potencial de doadores reais mas negligenciados. São os menores de 50 anos... de gerações conhecidas por sua fraca generosidade e seu forte individualismo, lembra Sophie Rieunier, Mestre da Universidade de Paris I Panthéon-Sorbonne, associada à enquête.
Essas pessoas desconcertam os coletores de fundos. De nosso ponto de vista de pesquisador de Marketing, os menores de 50 anos ocultam – ao contrário – um potencial para serem doadores.
Resta saber quais ferramentas de marketing adotar para sensibilizar essas pessoas em favor de uma causa.
Para Jacques Malet, essas gerações têm as mesmas características de generosidade que as gerações mais velhas: proporcionalmente, os mais antigos não têm nem menos beneméritos e nem menos doadores de sangue, por exemplo.
23% dos mais jovens efetuam seus donativos pela Internet.
Como, então, eles querem ser abordados?
Os doadores com menos de 60 anos têm a característica de doar mais “depois de madura reflexão em favor de uma ação precisa”; do que diante de “um impulso emocional”.
Na faixa de 30-39 anos, as doações por reflexão e por impulso se dividem na seguinte proporção: 36% no primeiro contra 15% no segundo.
Na faixa de 40-49 anos, a proporção é 37% contra 19%.
Em sua imensa maioria eles não desejam ser contatados por telefone, mas preferem o correio e para uma pequena parte (4% entre 18-29 anos), o texto no celular.
Outra informação útil: 23% dos doadores mais jovens efetuam, mais freqüentemente, suas doações pela Internet (24% entre 30-39 anos e 15% entre 50-59 anos).
Para Jacques Malet, Internet deve ser uma prioridade para as associações que coletam fundos junto do grande público: não somente os doadores são receptivos, mas é um meio de comunicação “de baixo custo” que permite oferecer, via um site ou uma newsletter, uma informação muito mais sofisticada que o simples correio, atualmente muito utilizado.
Os doadores estão mais atentos ao projeto
Esse último ponto é crucial aos olhos do pesquisador Malet:
“Nos vamos a uma geração de ‘doadores’ , diz o presidente da R et S. Dito em outras palavras, os doadores se tornaram mais exigentes, mais ambiciosos e são particularmente atentos ao projeto, às ações que ajudam a financiar”.
Quando se pergunta o que os doadores desejam em troca de sua doação de dinheiro eles respondem da seguinte forma:
· Até 3% querem um brinde de agradecimento;
· Entre 12% e 20% querem o agradecimento e querem abatimento fiscal;
· Mas, entre 42% e 69% querem informação precisa sobre a ação realizada.
Opinião contrária
Para o presidente da France Génerosités, André Hochberg, que representa os organismos que fazem apelo à generosidade do público, a análise de Jacques Malet é pertinente a longo prazo. Porque, a curto prazo, a análise subestima, o segundo ele, as premências econômicas das associações.
Os custos de prospecção são extremamente elevados: é verdade que falta segmentar os donativos pela Internet, mas isso custa caro para um resultado extremamente fraco neste momento: mesmo se fossem duplicados os donativos, passaria-se... de 1,2% à 2,5% do total dos donativos!
France Générosite aposta em uma maior informação do público.