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9 de agosto de 2008

Os Jesuítas e a Mala Direta

Vejam que matéria interessante foi publicada no "O Estado de S. Paulo, sábado, 2 de agosto de 2008" (os sublinhados são nossos)

Cartas com esperança e com afeto
Francisco Quinteiro Pires

Com esperança e com afeto.

Todas as cartas de padre Antônio Vieira apresentam esses recursos para conquistar a simpatia do destinatário.

“Mas suas correspondências não têm nada de estritamente pessoal, ou íntimo, da forma como pensamos hoje”, diz Alcir Pécora, um dos maiores especialistas brasileiros em Vieira, cujos 400 anos de nascimento são comemorados neste ano.

Padre Antônio Vieira acreditava na idéia de uma monarquia cristã universal. Ele via o império português como o Estado que concretizaria essa monarquia no mundo todo. Era o Quinto Império, fundado por um rei português, um longo período de paz na terra, antes da chegada ao anti-Cristo e do Juízo Final. “Pode-se dizer que essa crença está pressuposta em todas as cartas”, diz Pécora. O volume 1 contém a carta conhecida como Esperanças de Portugal, V Império do Mundo, de 29 de abril de 1659. O Tribunal do Santo Ofício de Coimbra se baseou nela para acusar Vieira.

A esperança no Quinto Império teria de vir com a graça dos céus, mas ela só se concretizaria se o rei de Portugal a transformasse numa razão de Estado.

Pécora lembra que o jesuíta se valia das cartas para reforçar “o corpo místico” do poder imperial. O padre Antônio Vieira (1608-97) chamava para si a missão de interpretar os sinais divinos para daí aconselhar o rei que lhe desse ouvidos. Não à toa, d. João IV, seu protetor, foi um dos principais correspondentes.

Alcir Pécora explica que Antônio Vieira obedecia a procedimentos ditados pela Companhia de Jesus para escrever as cartas.

Era a ars dictaminis, que previa a
seguinte divisão da estrutura do texto:


salutatio (saudação ou cumprimento);

captatio benevolentiae (obtenção de simpatia ou boa disposição);

narratio (narrativa e relação);

petitio (pedido, solicitação);

e conclusio (fecho, conclusão).